0 a 19, quase 20.

Minha trajetória na música é longa, apesar de minha pouca idade. Nasci numa família de músicos, por parte de pai, que isso fique bem claro. Pai, Avô, Tio, Tias, todos sabem tocar instrumentos, e confesso que isso me facilitou a vida, a começar pelo meu pai que , logicamente, foi de quem eu tive mais influência. Em sua adolescência, ele era cabeludo, tinha uma puma conversível e tocava violão. Ele gostava de Fagner, Zé Ramalho, Alceu Valença... Essa raça, muito boa aliás.
Com a idade, foi caindo para a boemia, não resistiu e foi pro samba, aprendeu cavaquinho ainda jovem, e até hoje ainda acontecem suas aparições em rodas de samba. Ele continua com os dois, violão e cavaquinho, e ainda anda se aventurando com uma flautinha debaixo do braço.

Eu acabei pegando essa época, e comecei pelos instrumentos de percussão do samba. Repique, tantã, pandeiro, tamborim. Logo depois nasceu a paixão pelas cordas. Tudo com muita calma. Primeiro o cavaquinho, que aliás foi um ótimo exercício para a agilidade nos dedos.
Aos poucos a minha identidade musical ia se formando, e eu ia descobrindo que não era bem samba que eu queria tocar. Passei para o violão e rapidamente me familiarizei com as duas cordas a mais. Aí, criei asas, e fui voar pelo universo da música. A verdade é que até hoje, eu me vejo boquiaberto com o rumo que as coisas tomaram. Ter um gosto musical em que a música em sua essência é o mais importante, onde eu moro, é muito difícil. Os vizinhos caminham pelo eixo funk-pagode-hiphop. Aí, fui eu. Comecei ouvindo a rádio cidade, muito pop, muito Red Hot, Ira, R.E.M., Aerosmith, O Rappa, mesclado com a influência de criança, ouvindo os discos de meu pai com ele. Tony Bennett, B.B.King, Natalie Cole, James Taylor. Todos os citados são muito legais, mas não era ainda o que eu procurava. Eis que, numa tarde cinzenta, começa uma música parecida com as demais, mas com um toque refinado. O naipe de metais no meio de uma guitarra melodiosa e meio suja, uma bateria agressiva e um vocalista meio rouco, com uma voz de bêbado, me encantaram, não de primeira, mas com mais três vezes eu já amava a tal 'Último Romance'.

Curioso, resolvi saber do que se tratava. Era Los Hermanos. Mas Los hermanos? Aquela banda de Anna Júlia e Todo Carnaval Tem Seu Fim? Confesso que achava uma bandinha bem mais ou menos, mas a partir de Último Romance, minha opinião mudou vertiginosamente.
Assim começou a minha empreitada no universo da música denominada indie. Cada vez mais a minha atenção às bandas era inversamente proporcional ao espaço das mesmas na mídia. E fui eu, descobrindo, Mombojó, Móveis Coloniais de Acaju, José Gonzalez, Death Cab for Cutie, Queens of the Stone Age, e algumas conhecidas também, como Strokes, Killers, Arctic Monkeys, Radiohead lembrando sempre que o que importa é a qualidade da música, e não a quantidade de autógrafos pedidos a cada ida deles ao supermercado.

Hoje em dia, sou fã incondicional de Los Hermanos e espero sinceramente que eles voltem a encaixar poesia dentro de melodias fantásticas e simples ao mesmo tempo.

Daqui pra frente, é só evolução.
 

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