onde está a sua família?

eram umas quinze pras seis quando meu estômago roncou. tinha tomado café cedo, e nem o cheiro do almoço eu tinha sentido ainda. como num daqueles momentos espíritas, saí do meu próprio corpo e me vi, jogado no sofá, o violão na diagonal entre meus braços, e um cigarro entre meus dedos. levantei, bebi um gole d'água, peguei as chaves, e fui atrás de alguma coisa que matasse minha fome.
cheguei ao centro de marechal, já com um lugar em mente. estacionei e fui em direção a um restaurante, bem famoso por aqui, por sinal. parei no balcão, pedi um filé à parmeggiana com purê de batatas, acendi outro cigarro e saí do restaurante. dar uma arejada, sabe né?!

nessa hora, me deparei com uma criatura de aparência medonha. cabelos curtos, mal cortados, na verdade. dava a total impressão de terem sido cortados pela própria.
suja, mal-cheirosa, descalça, dá pra notar que era uma mendiga. não suficiente, tinha mais um defeito chamado insanidade mental. eu, como todos nós, olhei, vi, e virei a cara, como se nada tivesse acontecido. pensei comigo logo em seguida que, se ela não estivesse naqueles trajes, seria uma mulher bonita. tinha traços finos e tal.

infelizmente, o meu grande erro foi esse, reparar demais. ela reparou que eu fiquei a reparando e se achou no direito de vir falar comigo. falava uma língua estranha, talvez o bebunzês. um copinho de vinho numa mão, os dentes imundos, e a árdua tarefa de conseguir esmola.
e veio ela, pedindo 'un tzocadu pelamordideusss, pa mim compá café'.
vamos combinar que uma pessoa nessa situação não teria como primeira opção café, ao invés de, sei lá, um joelho e um caldo de cana. ou um desodorante. ahh, não sei.

eu, muito educadamente, disse que não nessa oportunidade, afinal, eu não posso colocar essa mulher dentro da minha casa e não tenho condições financeiras de ajudá-la. nesse caso, prefiro não sacanear. uma vez que dar esmola, é financiar a burrada que aquela pessoa fez e que a deixou ali, na sarjeta.

o prato já estava pronto, paguei e agradeci ao atendente, assim como papai e mamãe me ensinaram desde criança.

no caminho de volta, fiquei pensando que... minha vida é perfeita.

como tudo acaba em pizza.

hoje em dia se tem uma coisa difícil de se fazer, essa coisa é acreditar.
a cada dia que passa, a gente vê mais nego safado por aí.

por que cresce tanto esse fenômeno?

toda falcatrua começa como golpe. só vira falcatrua quando é descoberta, desde que ainda esteja em andamento. se chegar a ser concluída (o que acontece com frequência), é golpe bem dado.
a gente vê ministros e dePUTAdos que faziam o que faziam - importante ressaltar que muitos deles, hoje, ainda estão no governo - e um presidente pai-de-todos que, sobre o mensalão diz não saber de nada.
o mensalão tinha tudo pra ser um golpe muito bem dado, aliás, assim como todo 'acordo' por-debaixo-dos-panos que acontece na política.
só virou falcatrua porque, falando superficialmente, a mala de r. jefferson não voltou tão recheada quanto ele gostaria e, por isso, ele resolveu falar um pouquinho.

a gente vê um casal, os dois SUUPER ULTRA religiosos, donos de igrejas - e mais outros estabelecimentos ainda - que pedem o famoso dízimo pro pessoal que é frequentador da igreja.
graças a esses dízimos, esse casal mora nos E.U.A [haha, que luxo], tem fazendas e, como já mencionado, outros estabelecimentos, um deles, aliás, é uma rede de televisão.

é, coisinha pequena, microempresários.

não tem nem uma semana que foi ao chão uma das filiais deles em são paulo, e o cara que preside a igreja pro casal, disse em nota enviada à imprensa que talvez aquelas pessoas devessem passar por aquilo.
um dos fiéis, o famosíssimo e aclamado no mundo inteiro, kaká, disse, no dia em que saiu a notícia de que o casal, dono de toda essa fortuna, seria preso, que faria greve de fome se, realmente, se concretizasse a notícia.

kaká, me desculpe, mas, vai tomar no cu.

essa gente faz parte de um esquema antigo, histórico, talvez hereditário, quase que genético, onde não há escapatória. não o kaká, ele é vítima da lavagem cerebral, o que não deixa de ser espantador. logo o kaká, garoto de família, inteligente, se prestar a um papel desses.
abre teu olho, jogador.

bom, tanto faz.
afinal, não sou eu que vou mudar isso.

mas pelo menos reclamar pro vento, no dia que eu acordar indignado, eu posso.

keep fighting, life's beautiful.

o normal, é ser.


essas vidas que se entrelaçam, essas vontades que são incontroláveis, os desencontros que nem são mencionados, as perdas que são irreparáveis.
tudo é real e consequência, tudo leva ao que é concreto, todas as coisas terão eco, pode não ser aqui, mas em algum lugar, alguém vai ouvir o que você falou, alguém vai sentir o que você desperdiçou, ou, até melhor, alguém vai aproveitar o tempo que você perdeu. na vida não há paredes.
o que fica disso é a sua personalidade, que é feita de todas essas desventuras e alegrias, constituída de todos os verões, carnavais e finais de festa.
e sabe que, num todo, numa espécie de resultado parcial, até que você se tornou um cara bem legal.


:I
 

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