Maturidade.

Ela chega sem avisar, e chega botando ordem na casa. Deixa eu falar logo, antes que algumas pessoas pensem: "Mas você mal saiu das fraldas, quem você pensa que é pra falar disso?". Ok, eu sei muito bem que um cara de vinte anos, não é lá a pessoa mais apropriada pra falar sobre um assunto tão maduro, - com o perdão do trocadilho - mas acredito já ter contato com nossa amiguinha maturidade. O que eu vou fazer aqui, não é tarefa das mais fáceis. Vou tentar explicar como foi essa fase de flerte com a dita cuja e, como vem sendo o namoro que firmamos desde o início desse ano. Mais precisamente, na sexta-feira antes do carnaval. Coincidentemente, ou não, essa data também foi a data do término do meu último relacionamento. Detalhe. Mas vamos ao que interessa.

 

Eu tinha um comportamento uniforme. Eu era sempre do mesmo jeito em qualquer lugar. Eu era novo, mas carregava as ranzinzices do meu pai, coisa que hoje vejo que até certo ponto é bom, mas eu acabei me 'concentrando demais nessa aula'. Eu era mais ou menos assim: Chegava num lugar diferente, e só me preocupava com o que poderiam pensar de mim. Ou seja, media minhas atitudes do início até o final, sempre tentando direcioná-las, de modo que eu sempre estivesse mostrando o que eu 'era'. Eu gostava de passar imagem de machão, cara inteligente e engraçado, de uma ironia fina, bons modos, educado e sério ao mesmo tempo. Tragédia na certa né? Ninguém conseguiria passar uma imagem dessas, ou pelo menos não com tantas coisas a mostrar dentro do tempo de duração de uma simples festa de aniversário, digamos.

 

Bom, me deixe consertar algumas coisas aqui. Do jeito que eu coloquei, fica parecendo que meu comportamento em público era um lixo e ninguém gostava de mim. Não. Pelo contrário, aliás. De todas essas qualidades que eu tentava mostrar, algumas eu até conseguia, e já fui muito elogiado, conseguia com sucesso algumas vezes. Até porque também, eu não conseguia ser assim 24 horas por dia. Eu era assim em ambientes 'estranhos', com pessoas que eu pensava ter que provar ser um cara cool e MUUUITAS VEZES, por esse motivo, já deixei de fazer/falar coisas que eu quis, por não querer passar de mal-educado, burro, lerdão. Sempre aquela velha história: Me preocupando com que os outros pensariam. Com quem eu sabia que não faria um mau juízo meu, eu era o Fellipe real.

 

Voltemos à tal sexta-feira, dia fatídico por sinal. Proveitoso também, devo acrescentar.  Proveitoso pelo fato de hoje, eu me sentir mais maduro. Coincidentemente, ou não, com relação ao término do namoro. Acho até que: - parafraseando alguém que certamente foi chamado de idiota assim que proferiu essas palavras, mas, muito justamente, hoje elas são usadas em muitas discussões, para separar laranja de tangerina. - "Uma coisa é uma coisa, e outra coisa é outra coisa.". Depois desse dia, foi gradativo. As coisas foram mudando, aos pouquinhos, quando um dia, eu acordei e tive o estalo: "Peraí, é impressão minha, ou eu tô mais maduro?".Cheguei a essa conclusão depois de reparar que agi de forma totalmente diferente diante de algumas situações, onde talvez, só eu saberia que reação seria a minha.

 

Saber levar as coisas na brincadeira, na esportiva. Ter jogo de cintura, malemolência, saber se esquivar. Isso tudo eu só consegui na vida, depois do meu período 'P.M.' (Pós-Maturidade). Pensar menos no que os outros vão pensar, ser mais você, falar aquela besteira na frente da sua namorada nova, se te der vontade. Soltar aquela piada que, fatalmente, ninguém vai achar graça, mas te deu vontade de contar porque você a acha ótima, e não ligar de ninguém dar risada. Você matou a sua vontade. E não se preocupar com o que os outros vão pensar, pois eles só vão pensar coisas ruins, se você tiver algo ruim a mostrar. Se não tiver, ótimo, e se tiver, quem liga? Ninguém é perfeito. O mais importante é que você vai estar sendo você mesmo. Mais parece é que as pessoas percebem quando você é artificial, tenta passar uma imagem do que você não é, faz tipinho.

 

A maturidade, além disso, passa por várias outras coisas, que eu talvez ainda vá aprender, ou não. Mas, a minha iniciação nela, foi pela vertente do jogo de cintura. E por enquanto tá sendo bom ser um cara maduro. Se me encher o saco, eu pego meu boné, e peço minhas contas. Volto pros oito anos. Sem maturidade/responsabilidade/obrigações.

Ou talvez eu deva parar de tentar entender a vida, deixar o barco correr e apenas viver.

 

© Copyright O Céu. . All Rights Reserved.

Designed by TemplateWorld and sponsored by SmashingMagazine

Blogger Template created by Deluxe Templates