Cagando e andando.

Eu era moleque ainda, devia ter meus 12 anos, sei lá. Eu fazia a 6ª série do Santa Mônica. Como de costume, no final do ano, lá estava eu de prova final em Matemática. Sempre fui uma negação para os números. A prova seria no Sábado e, por mais incrível que possa parecer, eu tinha estudado e tava achando que ia me dar bem. Vou avisar algumas coisas antes de dar continuidade à história. Não me lembro de muitos detalhes, pois tem tempo essa história já e se você estiver comendo algo, pare. Ou não leia agora.

 

Acordei, 7 da manhã, cara amassada, molequinho ainda. Gordinho, parecia um pãozinho de queijo daqueles que se compra à quilo. Fui tomar meu banho, escovei os dentes e tal, nunca dei muito trabalho à minha mãe quanto à isso. Vocês acreditem ou não, eu não tomava café da manhã. Não gostava porque eu era/sou muito sensível com comida. Se bater mal no estômago, eu tô no banheiro minutos depois. Só que nesse dia, eu resolvi, no mínimo, beber alguma coisa, já tava havia um tempo sem tomar café de manhã e não achei que fosse fazer mal, mas aí é que vem o detalhe. Como uma boa formiga, eu adorava um doce: Tomei um copãão de nescau bem preto e saí de casa. Beleza.

 

Cheguei no colégio, encontrei a galera e subi pra fazer a prova. Já sentado na cadeira, recebi a prova, passei o olho por ela e pensei: “Poorra, tranquilinho, passei.” Hm, quem me dera que tivesse sido tão fácil.

 

Fiz a primeira questão, corretamente, diga-se de passagem, e quando passei pra segunda, senti um borbulhar no meu estômago, bem fraquinho, mas senti. Pensei comigo: “Haha, vou soltar um daqueles aqui na sala, nego vai pirar”. Quando me larguei, malandro, veio a avalanche. Aí eu travei e ao mesmo tempo se criou uma gota de suor na minha testa. A parada começou a ficar tensa aí. As borbulhadas no estômago foram aumentando de intensidade, várias outras partículas de suor iam se instalando pelo meu rosto, e eu acelerei o ritmo da prova, fui fazendo as questões rapido, até quando não deu mais, eu me levantei e entreguei a prova à professora e já ia saindo da sala direto pro banheiro, quando ela diz: “Fellipe, vai aonde? Tem que esperar bater o sinal.” Olhei no relógio, faltavam eternos quinze minutos. Me desesperei.

 

A professora, nesse dia, levou a filhinha dela pra sala de aula, pequena, devia ter seus três aninhos. Pra que. A garota cismou de vir brincar comigo, e eu novinho né, todo educadinho, mó sem graça de fazer qualquer coisa que a professora me repreendesse, e suando, e travado. Dando uns sorrisinhos amarelos pra menina, ouvi o sinal bater.

 

Saí em disparada diretamente pro banheiro, desci escada, nego falando comigo e tal “E ae, Fellipe, chega aqui… ialá, saiu fora” e eu descendo voado. Cheguei no banheiro, a servente – que tem mãe na zona, não me deixou dar uma cagada – disse: “Estou lavando, dois minutinhos meu amor.” Falei: “Ahn, tá.” Pensei: “VÁ SE FODER SUA PORCA IMUNDA DA PORRA SUA BOCA FEDE SUA RIDÍCULA VOCE FEDE A LIXO TOMARA QUE MORRA”

 

Saí do colégio, andando como se fosse um pinguim, cara vocês não imaginam como tava a situação. Puta que pariu. Eu tinha que atravessar uma ponte pra chegar em casa, uma ponte dessas que passa carro e passa gente. Quando cheguei na ponte, não aguentei mais. Parei de andar. Por um momento, pensei em por a bunda na linha do trem, e cagar no trilho. Desisti logo depois imaginando a cena: ‘Fellipe cagando e passa um conhecido na hora’. Me apoiei no parapeito da ponte, – gente voces não imaginam como eu tava eu não tava mais aguentando aquele coco querendo sair eu não consegui juro desculpa rs – e deixei sair. Tudo. E quando eu digo tudo, eu digo MUITA COISA. Aí me deu a louca e eu saí correndo. Saí correndo, que se foda, não queria saber. Eu tava com uma calça de moleton, larga, e a merda saía pela calça, saca? Voava nos carros, e eu correndo e cagando. HAHAHAHAHAHAHAAHAHAH Nem eu me aguentei e comecei a rir agora. Peraí. haha

 

Aí eu, todo cagado, resolvi ir pra casa do meu pai, que era mais perto, o tempo que eu teria que andar na rua seria menor, logicamente. Chegando lá, toquei o interfone, a empregada abriu o portão. Cheguei no apartamento, toquei a campainha, ela abriu a porta, olhou pra minha cara e, diante daquela pessoa parada ali, sem falar/fazer nada, disse: “Entra, menino!”

 

Aí eu disse: “Não, não, obrigado.” cara, olha o que eu disse, a empregada me convidou a entrar na casa do meu pai e eu disse não brigado haha

Ela, sem entender deu uma examinada em mim, aí pronto. Ela só pôs a mão no nariz, e disse: “PELOS FUNDOS!”

 

Bom, entrei, tomei 31414 banhos seguidos, joguei a roupa, o tênis, até a camisa fora, e fui zoado pela minha família por um bom tempo com essa história, isso porque meu pai não deixaria de contar pra toda a família.

 

P.S.: Sobre a prova, da prova final eu fui pra recuperação, e passei =D

E essa história tem tempo, eu tinha 12 anos, então nada de associações. Aliás, nem foi comigo, foi com um amigo, só contei como se fosse eu pra dar mais graça…

 

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