Família.

Há exatas quatro horas, ainda estávamos no dia 6/8, dia do aniversário do meu velho pai. 44 anos. Aliás, parabéns Silvinho! Espero que nós comemoremos muitas datas juntos ainda.

Mas não era bem sobre isso que eu queria falar. Eu, num dado momento do jantar de comemoração do aniversário do meu pai, me peguei, no meio da minha família, pensando, na verdade lembrando, da minha infância. Toda ela. E quase 90% passada ao lado da família, tanto de parte de pai, como de parte de mãe, – mais com a família do meu pai – e me vi sentado no sofá, com um copo de cerveja na mão, como um velho saudosista.

Me lembrei da minha infância com a família do meu pai, sempre muio unida, das festas de família, meus primos que foram e são meus grandes amigos, Léo, Chris, Laís, Guilherme e Lívia, por parte de pai. Rafael, Danillinho, Pedro Victor e Leandro, por parte de mãe, meus tios, enfim. Tive uma infância muito gostosa, proveitosa. Brinquei muito, aprendi, briguei, levei tombos, mas sempre amparado pelo seio de minha família.

Lembro com muita saudade das férias e feriados na casa de Araruama, onde tive momentos memoráveis com a família por parte de pai. Era sempre festa, piscina, futebol, brinquedos, coisas de criança. Às vezes, metade dos primos eram do mal e metade eram do bem, rs. Uma das histórias de Araruama, aliás, a que pretendo contar hoje, é a história do fantasma que andava de havaianas.

A casa de Araruama é grande, não só a casa, mas o espaço externo também. Éramos crianças, e como já era de se esperar, estávamos sempre arrumando algo pra fazer. Normal. Vale lembrar que um dos primos, o Guilherme – Guigui pros mais íntimos – era uma criança um tanto medrosa e mimada.

Então, em mais uma alegre noite na casa, meu pai, sacana que só ele, teve uma idéia. Sempre vinham dele as idéias mais bizarras, como por exemplo pegar o sapo – quase já de estimação - que vivia pelos cantos do gramado da casa, e mostrá-lo às mulheres da casa pela janela da cozinha. Só ouvíamos os berros. Haha. – Que conste nos autos: O sapo tinha nome. Era o Godofredo. Já faleceu, com certeza. Um minuto de silêncio em respeito.. brincadeira.

Voltando à história, meu pai, em mais uma idéia bizarra, resolveu criar um fantasma dentro da casa. O fantasma apareceria nos fundos da casa, onde havia a mesa de sinuca, e onde a grande maioria da família se reunia à noite. Pra materializar o fantasma, ele precisou de colchas, lencóis, travesseiros e uma corda. Silvinho subiu no telhado da casa, e arquitetou com maestria, uma espécie de marionete. Com a corda, ele fazia o fantasma se movimentar, pra cima e pra baixo. Pronto, foi o necessário pra assustar Guigui, e nossa priminha mais nova, Laís. Antes que alguém pergunte, digo que sim, Guigui era o alvo, lógico. Afinal, tudo com o mais mimado e cagão era mais engraçado. Guilherme assim que viu o fantasma, saiu e foi pra frente da casa, com medo. Nós, os primos, o convencíamos a voltar. Ele aceitava depois das nossas promessas de que o defenderíamos do fantasma, ou de que o fantasma não estaria mais lá. E mais uma vez, ele voltava, e saía correndo. Laís, como era a mais nova, também se assustou, mas não era engraçado assustá-la, pois ela mal conhecia o alfabeto. Dissemos à ela que se ela pintasse as unhas, ficaria imune. Pronto. Agora era só o Gui.

Depois de se revezarem lá em cima, meu pai e tio Antônio Mário, resolveram, no dia seguinte, fazer de forma diferente. Eles mesmo se cobririam com o lençol, e ficariam perambulando por trás dos carros, que ficavam estacionados na parte de trás da casa. O efeito foi o mesmo. Só o Gui não reparava que, quando tio Mário não estava, meu pai estava, e vice-versa.

Eis que, nosso primo Leonardo, o Léo, quis se travestir de fantasma também. O problema foi que ele deixou um detalhe humano no corpo do fantasma. O chinelo de borracha. Se cobriu com o lençol branco, e foi até o quintal. Em mais uma sessão de argumentação com Guigui, conseguimos fazer com que ele voltasse aos fundos da casa, pois agora era a vez de Leonardo assustá-lo. Quando Gui chegou lá atrás, Léo postou-se de pé e pôs-se a gritar ‘BUUUHH! BUUUUH!’. Se sentindo o Gasparzinho. Foi quando Lívia, irmã de Léo e Laís, gritou:

- “Mas peraí, esse fantasma tá de havaianas!”

Hahahaha. Pronto. Desfeita a mística do fantasma de Araru. Todos caíram na gargalhada enquanto Léo voltava cabisbaixo se desvencilhando da capa de fantasma, e Guigui, quase se mijando de alívio, se vangloriava dizendo que sempre soube que o tal fantasma não era de verdade.

Realmente, são tempos que não voltam mais.

Abaixo seguem algumas fotos nossas em Araruama, apenas para ilustração da imaginação de vocês.

A frente da casa. (Eu e mãe)

Os fundos da casa. (Léo, Gui e eu)

Na sala. (Lívia, Gui, Chris, Laís e eu)

Isso aqui, é pra sempre.
Amo vocês.
 

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